30 de jan de 2012

maravilhas



A Cultrix mantinha uma coleção interessante, bem boazinha até, em 24 volumes, chamada Maravilhas do conto ...: universal, fantástico, policial, feminino, de aventuras, de natal, alemão, inglês, norte-americano, francês, russo, japonês, português etc.

Os organizadores variavam: o próprio Diaulas Riedel, dono da editora, ou Fernando Correia da Silva, mas raros volumes traziam alguma referência ao tradutor. Havia algumas coisas francamente ridículas: por exemplo, em várias coletâneas constava "Tradução revista por T. Booker Washington". Já comentei isso em algumas ocasiões no Não Gosto de Plágio, em especial num caso a propósito de Kafka, aqui.

Neste levantamento dos contos de Poe no Brasil, nosso autor aparece em várias Maravilhas da Cultrix: do conto amoroso, do conto policial, do conto americano, do conto de aventuras, do conto fantástico e do conto universal - e sistematicamente sem qualquer referência ao(s) tradutor(es).

A coisa fica tremendamente aborrecida, pois é um apanhado de traduções já existentes, mas as edições não trazem qualquer crédito de licenciamento ou nota de autorização de uso. E, sabendo que são traduções anteriores, não sei até que ponto me animo em gastar um dinheirão para comprar todos esses exemplares apenas para descobrir qual foi a tradução utilizada pela Cultrix.

Sei, por exemplo, que "Descida do Maelstrom", em Maravilhas do conto de aventuras (Cultrix, 1961), é a tradução de Milton Amado e Oscar Mendes (Globo, 1944), porque comparei as duas e constatei que são idênticas.

Mesma coisa em relação a Maravilhas do conto fantástico, onde o conto de Poe selecionado foi "Silêncio", em texto idêntico (apenas com a grafia atualizada) ao que se encontra na famosa "traducção brasileira" anônima que saiu pela H. Garnier em 1903 e foi reproduzida em 1941, 1943, 1954 (e depois em 1972 e 1988) em outras editoras, com nomes variados de tradutores.

Se pelo menos a Cultrix tivesse se abeberado exclusivamente nas traduções de Milton Amado e Oscar Mendes, seria muito mais simples. Mas, em vista destes dois exemplos, está-nos vetada essa hipótese.

Em todo caso, sinto-me razoavelmente segura em não incluir nenhuma das Maravilhas de Cultrix em minha pesquisa sobre as traduções de Poe no Brasil. Até alguma eventual indicação em contrário, sou do parecer de que tais edições podem compor a fortuna editorial e comercial de Poe no Brasil - mas sua fortuna tradutória, não.



29 de jan de 2012

Dezessete contos ocupam as dez primeiras posições, entre os contos de Poe mais traduzidos no Brasil. As listagens completas estão reunidas no marcador "os mais traduzidos", aqui, cada conto com sua listagem própria.

Interessante notar que, entre esses dezessete, apenas dois - The Tell-Tale Heart e The Mystery of Marie Rogêt - parecem se manter mais ou menos a salvo da sanha cópio-tradutória que tanto infesta algumas coletâneas.

os contos de poe mais traduzidos no brasil: a décima posição, IV



Enfim, o quarto conto com doze traduções entre nós, The Mystery of Marie Rogêt, por ora aparentemente a salvo de traduções espúrias:





The Mystery of Marie Rogêt Tradução Editora Ano
O mistério de Marie Roget Frederico dos Reis Coutinho Vecchi 1943
O mistério de Marie Roget Oscar Mendes e Milton Amado Globo 1944
O mistério de Marie Rogêt Brenno Silveira Civilização Brasileira 1959
O mistério de Maria Roget Raul Polillo Boa Leitura 1960
O mistério de Marie Rogêt Aldo della Nina Saraiva 1961
O mistério de Marie Rogêt Pedro Ramires Cedibra 1972
O mistério de Marie Roget anônimo Otto Pierre 1979
O mistério de Marie Roget Ary Nicodemos Trentin FTD 1990
O mistério de Marie Roget Geraldo Galvão Ferraz Ática 1998
O mistério de Maria Rogêt Marcius Fabiani de Souza Esquina da Palavra 2003
O mistério de Marie Rogêt Rodrigo Espinosa Cabral (adapt.) Rideel 2009
O mistério de Marie Rogêt Bianca Pasqualini L&PM 2011


imagem: aqui

os contos de poe mais traduzidos no brasil: a décima posição, III

File:MS Found in a Bottle Wogel.JPG

Também com doze traduções, MS Found in a Bottle:


Manuscript Found in a Bottle Tradução Editora Obs. Ano
Manuscrito achado numa garrafa Afonso de Escragnolles Taunay Melhoramentos pelo francês 1927
Manuscrito encontrado numa garrafa Oscar Mendes e Milton Amado Globo 1944
Manuscrito encontrado numa garrafa Brenno Silveira Civilização Brasileira 1959
Manuscrito encontrado numa garrafa Octavio Mendes Cajado Saraiva 1959
Manuscrito encontrado numa garrafa Pedro Ramires Cedibra 1972
Manuscrito encontrado numa garrafa Clarice Lispector (adapt.) Ediouro 1975
Manuscrito encontrado numa garrafa José Rubens Siqueira Ática 1993
O manuscrito encontrado numa garrafa Annunziata de Filippis Newton Compton pelo italiano 1995
Manuscrito encontrado numa garrafa Falta saber Ediouro 1996
Manuscrito encontrado numa garrafa Pietro Nassetti Martin Claret Brenno Silveira 1999
Manuscrito encontrado em uma garrafa Ana Carolina V. Rodriguez (adapt.) Rideel 2005
Manuscrito encontrado numa garrafa Rodrigo Breunig L&PM 2011





atualização em 04/02/12: na verdade, MS Found in a Bottle sai desse lote do décimo lugar entre os contos mais traduzidos de Poe no Brasil. Vai para a undécima posição, com onze traduções, pois constatei que a tradução que saiu pela Ediouro é a de Milton Amado com Oscar Mendes.

atualização em 20/07/2015: acrescente-se a tradução de cássio arantes.

imagem: aqui

os contos de poe mais traduzidos no brasil: a décima posição, II



Também com doze traduções, The Man of the Crowd:






The Man of the Crowd Tradução Editora Obs. Ano
O homem das multidões Anônimo H. Garnier Mécia Mousinho?* 1903
O homem das multidões Anônimo Livro de Bolso Mécia Mousinho? 1941
O homem das multidões Faria e Souza Cruzeiro do Sul Mécia Mousinho? 1943
O homem das multidões Oscar Mendes e Milton Amado Globo 1944
O homem da multidão José Paulo Paes Cultrix 1958
O homem da multidão Aurélio B. Hollanda e Paulo Rónai José Olympio 1958
O homem da multidão Octavio Mendes Cajado Saraiva 1959
O homem das multidões João Teixeira de Paula Ordibra/INL Mécia Mousinho? 1972
O homem na multidão Luísa Lobo Edibolso/Cedibra 1975
O homem das multidões José Maria Machado Clube do Livro Mécia Mousinho? 1988
O homem na multidão (Col. Calafrio  n. 5) Falta saber D Arte c.1990
O homem da multidão Dorothée de Bruchard Paraula 1993


* Sobre Mécia Mousinho, ver aqui. 


imagem: aqui

os contos de poe mais traduzidos no brasil: a décima posição, I



Em décima posição, com doze traduções - entre legítimas e espúrias - cada, há quatro contos: Hop-Frog, The Man of the Crowd,
MS Found in a Bottle  e The Mystery of Marie Rogêt. Comecemos por Hop-Frog:


Hop-Frog Tradução Editora Obs. Ano
Hop-Frog Anônimo H. Garnier Mécia Mousinho?* 1903
Hop-Frog Anônimo Rochera 1925
Hop-Frog Afonso de Escragnolles Taunay Melhoramentos pelo francês 1928
Hop-Frog Anônimo Livro de Bolso Mécia Mousinho? 1941
Hop-Frog Faria e Souza Cruzeiro do Sul Mécia Mousinho? 1943
Hop-Frog Oscar Mendes e Milton Amado Globo 1944
Hop-Frog Octavio Mendes Cajado Saraiva 1959
Hop-Frog João Teixeira de Paula Ordibra/INL Mécia Mousinho? 1972
Hop-Frog José Maria Machado Clube do Livro Mécia Mousinho? 1988
Hop-Frog ou os oito orango- tangos acorrentados William Lagos L&PM 2002
Hop-Frog Cláudia Ortiz Escala/Larousse pelo francês 2005
O último pulo do sapo Telma Guimarães (adapt.) Editora do Brasil 2008










* Sobre Mécia Mousinho, ver aqui. 

imagem: aqui

nona posição, II

File:Poe william wilson byam shaw.JPG

Também com treze ocorrências, William Wilson aparece no Brasil nas seguintes traduções (entre legítimas e espúrias):


William Wilson Tradução Editora Obs. Ano
William Wilson Anônimo H. Garnier Mécia Mousinho?* 1903
William Wilson Anônimo Livro de Bolso Mécia Mousinho? 1941
William Wilson Faria e Souza Cruzeiro do Sul Mécia Mousinho? 1943
William Wilson Oscar Mendes e Milton Amado Globo 1944
William Wilson José Paulo Paes Cultrix 1958
William Wilson Octavio Mendes Cajado Saraiva 1959
William Wilson Berenice Xavier Nova Aguilar 1965
William Wilson João Teixeira de Paula Ordibra/INL Mécia Mousinho? 1972
William Wilson Clarice Lispector (adapt.) Ediouro 1975
William Wilson Anônimo Clube do Livro Mécia Mousinho? 1981
William Wilson José Maria Machado Clube do Livro Mécia Mousinho? 1988
William Wilson William Lagos L&PM 2003
William Wilson Rodrigo Espinosa Cabral (adapt.) Rideel 2009






* Sobre Mécia Mousinho, ver aqui.


imagem: aqui

nona posição, I



Em nona posição, com treze traduções cada (entre legítimas e espúrias), estão The Imp of the Perverse - eia titulozinho difícil de traduzir! - e William Wilson. Comecemos pelo diabretezinho que Baudelaire, com seus arroubos parnasianos, traduziu como Le démon de la perversité, título que acabou criando escola entre nós.


The Imp of the Perverse Tradução Editora Obs. Ano
O demônio da perversidade Anônimo H. Garnier Mécia Mousinho? 1903
O demônio da perversidade Anônimo Livro de Bolso Mécia Mousinho? 1941
O demônio da perversidade Faria e Souza Cruzeiro do Sul Mécia Mousinho? 1943
O demônio da perversidade Oscar Mendes e Milton Amado Globo 1944
O demônio da perversidade J. da Cunha Borges Vecchi 1945
O demônio da perversidade Frederico dos Reis Coutinho Vecchi 1954
O demônio da perversidade João Teixeira de Paula Ordibra/INL Mécia Mousinho? 1972
O demônio da perversidade Luiz Fernando Brandão e Márcia Poncioni L&PM 1980
O demônio da perversidade José Maria Machado Clube do Livro Mécia Mousinho? 1988
O demônio da perversidade William Lagos L&PM 2002
O demônio da perversidade Rodrigo E. Cabral (adapt.) Rideel 2003
O demônio da obstinação Guilherme Braga Hedra 2008
O demônio da impulsividade Rodrigo Breunig L&PM 2011








* Sobre Mécia Mousinho, ver aqui.

imagem: aqui

o índice do dr. ruby

Como contei aqui, Bráulio Tavares me enviou uma preciosidade. São as páginas que Ruby Felisbino Medeiros dedica aos contos de Edgar Allan Poe em seu Índice de contos de ficção científica e fantásticos (edição do autor, 1999).

São aquelas coisas que fazem o pesquisador dar gritinhos de alegria:





clique nas imagens para ampliar

o duplo presente




Bráulio Tavares, escritor, poeta, compositor e tradutor que dispensa maiores apresentações, recentemente organizou uma coletânea de Contos obscuros de Edgar Allan Poe, com dezesseis contos, uma parte deles em tradução sua, outra parte na tradução de Milton Amado e Oscar Mendes, que saiu pela Casa da Palavra.

Andamos trocando umas figurinhas sobre Poe, e hoje recebi um duplo presente fantástico de Bráulio, a quem agradeço novamente. Trata-se das páginas referentes a Poe que constam no levantamento bibliográfico que Ruby Felisbino Medeiros, falecido em agosto de 2011 e grande aficionado de literatura fantástica e ficção científica, havia preparado meticulosamente e publicado em 1999. Digo "duplo presente": o material enviado e a oportunidade de vir a conhecer o trabalho de Medeiros, que eu não conhecia antes.

No próximo post publicarei as páginas escaneadas do Índice de contos de ficção científica e fantásticos (Porto Alegre: Edição do Autor, Laboratório-Escola de Ficção Científica A. Robert Heinlein, 1999).

oitava posição, III



O caso de Berenice é meio complicado, com suas quinze traduções entre legítimas, anônimas e espúrias. Cinco delas são iguais entre si. A de 1903 é anônima, mas o volume traz na página de rosto a especificação "(TRADUCÇÃO BRASILEIRA)". A de 1941 também é anônima, idêntica à de 1903, mas traz na página de rosto a especificação "Tradução portuguesa revista por Faria e Souza". Note-se que a mesma tradução transita para outra editora dois anos depois, em 1943, agora atribuída diretamente a Faria e Souza. Até que eu consiga comprovar efetivamente se a dita "traducção brasileira" é, como suspeito ser, mera cópia da tradução portuguesa de Mécia Mousinho de Albuquerque (1889, 1890), sou obrigada a manter a edição de 1941 entre as traduções brasileiras e considerar sua especificação na página de rosto como lapso ou expediente para contornar a necessidade de licenciamento da "traducção brasileira" de 1903.


Berenice Tradução Editora Obs. Ano
Berenice Anônimo H. Garnier Mécia Mousinho? 1903
Berenice Januário Leite Annuario do Brasil c. 1921
Berenice Anônimo Livro de Bolso Mécia Mousinho? 1941
Berenice Faria e Souza Cruzeiro do Sul Mécia Mousinho? 1943
Berenice Oscar Mendes e Milton Amado Globo 1944
Berenice José Paulo Paes Cultrix 1958
Berenice Brenno Silveira Civilização Brasileira 1959
Berenice João Teixeira de Paula Ordibra/INL Mécia Mousinho? 1972
Os dentes de Berenice Clarice Lispector (adapt.) Ediouro 1975
Berenice Anônimo Otto Pierre 1979
Berenice José Maria Machado Clube do Livro Mécia Mousinho? 1988
Berenice Geraldo Galvão Ferraz Ática 1998
Berenice William Lagos L&PM 2003
Berenice Ana Carolina V. Rodriguez (adapt.) Rideel 2009
Berenice Celina Portocarrero Agir 2010





imagem: aqui

oitava posição, II



Também com quinze traduções aparece The Oval Portrait:






The Oval Portrait Tradução Editora Obs. Ano
O retrato oval Oscar Mendes e Milton Amado Globo 1944
O retrato oval Aurélio Lacerda Pinguim 1947
O retrato oval Anônimo Tecnoprint 1954
O retrato oval José Maria Machado Clube do Livro conferir fonte 1956
O retrato ovalado José Paulo Paes Cultrix 1958
O retrato oval Aldo della Nina Saraiva 1961
O retrato oval Clarice Lispector (adapt.) Ediouro 1975
O retrato ovalado William Lagos L&PM 2003
O retrato oval Henry Dualibi Germape Tomé Santos Jr. 2005
O retrato oval Antonio Carlos Vilela Melhoramentos  pelo espanhol 2006
O retrato oval Guilherme Braga Hedra 2008
O retrato oval Anônimo Cedic Tomé Santos Jr. 2008
O retrato oval Humberto Moura Neto e Martha Argel Aleph 2008
O retrato oval Ana Carolina V. Rodriguez (adapt.) Rideel 2009
O retrato oval Roberto Muggiati Arte e Letra 2009


imagem: aqui

oitava posição, I



Em oitavo lugar entre os contos mais traduzidos de Poe no Brasil estão The Fall of the House of UsherThe Oval Portrait e Berenice, com quinze traduções cada. Vejamos Usher:





The Fall of the House of Usher Tradução Editora Obs. Ano
A queda do Solar de Usher Oscar Mendes e Milton Amado Globo 1944
A queda da Casa de Usher Aurélio Lacerda Pinguim 1947
A queda da Casa de Usher José Paulo Paes Cultrix 1958
A queda da Casa de Usher Brenno Silveira Civilização Brasileira 1959
A queda da Casa dos Ushers Aldo della Nina Saraiva 1961
A queda da Casa de Usher Luiza Lobo Bruguera 1970
A queda da Casa de Usher Luisa Lobo Edibolso Brenno Silveira 1975
A queda da Casa de Usher Clarice Lispector (adapt.) Ediouro 1975
A queda da Casa de Usher José Rubens Siqueira Ática 1993
A queda da Casa de Usher Annunziata de Filippis Newton Compton pelo italiano 1995
A queda da Casa de Usher Pietro Nassetti Martin Claret Brenno Silveira 1999
A queda da Casa de Usher William Lagos L&PM 2003
A queda da Casa de Usher Cláudia Ortiz Escala/Larousse pelo francês 2005
A queda da Casa de Usher Ana Carolina V. Rodriguez (adapt.) Rideel 2006
A queda da Casa de Usher Guilherme Braga Hedra 2008

A primeira tradução do conto parece ter sido a de Wilson Velloso, que saiu em 1938 na revista A Novela, da Livraria do Globo, e que comentei aqui.


imagem: aqui

o sétimo




The Masque of Red Death fica em sétima posição entre os mais traduzidos no país, com dezoito traduções (entre legítimas e espúrias). São elas:






The Masque of the Red Death Tradução Editora Observações Ano
A mascarada interrrompida Dioclécio D. Duarte O Norte adaptação teatral 1922
A mascarada da morte vermelha Januário Leite Annuario do Brasil 1926
A máscara da morte rubra Afonso de E. Taunay Melhoramentos pelo francês 1928
A máscara  da morte rubra Oscar Mendes e Milton Amado Globo 1944
A mascarada da morte escarlate Aurélio Lacerda Pinguim 1947
A máscara da morte vermelha Anônimo Tecnoprint 1954
A máscara da morte rubra Frederico dos Reis Coutinho Vecchi 1954
A máscara  da morte rubra José Paulo Paes Cultrix 1958
A máscara da morte rubra Aldo della Nina Saraiva 1961
A máscara da peste vermelha Luísa Lobo Bruguera 1970
A máscara da morte rubra Clarice Lispector (adapt.) Ediouro 1975
A máscara da morte escarlate José Rubens Siqueira Ática 1993
A máscara da morte rubra William Lagos L&PM 2003
A máscara da morte vermelha Cláudia Ortiz Escala/Larousse pelo francês 2005
A camuflagem da morte escarlate Henry Dualibi Germape Tomé Santos Jr. 2005
A máscara da morte rubra Jorge Ritter Artes e Ofícios 2007
O baile da morte vermelha Guilherme Braga Hedra 2008
A camuflagem da morte escarlate Anônimo Cedic Tomé Santos Jr. 2008


imagem: aqui

em sexto, II




The Tell-Tale Heart é outro conto do qual localizei dezenove traduções, algumas anônimas e uma cuja autoria a editora
não chegou a me informar.


The Tell-Tale Heart Tradução Editora Obs. Ano
O coração delator Januário Leite Annuario do Brasil c.1921
O coração denunciador Oscar Mendes e Milton Amado Globo 1944
O coração delator Lúcio Cardoso Teatro de Câmera adaptação teatral 1947
O coração revelador Almiro Rolmes Barbosa e Elena Reid Barbosa Brasiliana 1951
O coração delator Anônimo Tecnoprint 1954
O coração revelador Não consta Cultrix 1957
O coração delator José Paulo Paes Cultrix 1958
O coração revelador Aldo della Nina Saraiva 1961
O coração denunciador Clarice Lispector (adapt.) Ediouro 1975
O coração revelador Luísa Lobo Cedibra 1971
O coração delator Renato Guimarães Civilização Brasileira 1978
O coração delator Márcia Pedreira Ática 1988
O coração denunciador Annunziata de Filippis Newton Compton pelo italiano 1995
O coração denunciador Geraldo Galvão Ferraz Ática 1998
O coração delator Falta saber Leitura XXI 2003
O coração denunciador Paulo Schiller Companhia das Letras 2004
O coração revelador Antônio Carlos Vilela Melhoramentos pelo espanhol 2006
O coração delator Celina Portocarrero Ediouro 2007
O coração delator Rodrigo Breunig L&PM 2011


Há também uma tradução de Lygia Fagundes Telles, "O coração delator", que foi publicada em 1948 pelo suplemento literário Letras e Artes, do jornal carioca A Manhã.

imagem: aqui

em sexto, I



Em sexto lugar entre os contos mais traduzidos de Poe no Brasil, com dezenove traduções cada, estão The Cask of Amontillado The Tell-Tale Heart. Vejamos o Amontillado:

The Cask of AmontilladoTraduçãoEditoraObs.Ano
A barrica de amontilladoAfonso de Escragnolles TaunayMelhoramentospelo francês1928
O barril de amontilladoOscar Mendes e Milton AmadoGlobo1944
O barril de amontilladoLívio XavierCia. Editora Leitura1945
A pipa de vinho amontilladoFrederico dos Reis CoutinhoVecchi1945
O barril de amontilladoJosé Paulo PaesCultrix1958
O barril de amontilhadoBrenno SilveiraCivilização Brasileira1959
O barril de amontilladoOctavio Mendes CajadoSaraiva1959
O barril de amontilladoLuísa LoboBruguera1970
O barril de amontilladoAlair de Oliveira GomesBruguerac. 1970
O barril de amontilladoClarice Lispector (adapt.)Ediouro1975
O barril de amontilladoRenato GuimarãesCivilização Brasileira1978
O barril de amontilladoJosé Rubens SiqueiraÁtica1993
O barril de amontilladoRodrigo Espinosa Cabral (adapt.)Rideel2003
O barril de amontilladoWilliam LagosL&PM2003
O barril de amontilladoCláudia OrtizEscala/Laroussepelo francês2005
O pipo de "amontillado"Henry DualibiGermapeTomé Santos Jr.2005
O barril do amontilladoGuilherme BragaHedra2008
O pipo de "amontillado"AnônimoCedicTomé Santos Jr.2008
O barril de amontilladoFalta saberNovo Continente2009

Em 1941, saiu uma tradução de R. K. Machado pela revista Contos Magazine, n. 88, numa seção fixa da revista que se chamava "Contos famosos", com o título "O barril de vinho amontillado".

imagem: aqui

os mais traduzidos: da sexta à décima posição

Flickr Photo Download: Harry Clarke, Poe, Tales of Mystery and Imagination, 1

Já mostrei quais são os cinco contos mais traduzidos de Poe no Brasil, com seus respectivos tradutores, editora e ano de primeira edição. Agora vejamos da sexta à décima posição:


Cask of Amontillado, The 19
Tell-Tale Heart, The 19
Masque of Red Death, The 18
Berenice 15
Fall of the House of Usher, The 15
Oval Portrait, The 15
Imp of the Perverse, The 13
William Wilson 13
Hop-Frog 12
Man of the Crowd, The 12
MS Found in a Bottle 12
Mystery of Marie Rogêt, The 12


imagem: aqui

21 de jan de 2012

poe pulp: um breve estudo de caso

Achei bem legal um levantamento de Marco Aurélio Lucchetti sobre uma parte da trajetória de The Murders in the Rue Morgue 
no Brasil. Chama-se "E as histórias de detetive & mistério tiveram início com... um orangotango", publicado em Jornal do Cinema, I, 4, 2009, disponível aqui.

Foi neste levantamento que fiquei sabendo que a primeira quadrinização americana do conto saiu em 1944 (na Classic Comics 21)
e chegou ao Brasil em 1949, na revista Edição Maravilhosa n. 15:

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poe em magazines II

Ainda na Contos Magazine saíram em 1941 "O Disfarce da 'Morte Vermelha'" (n. 87) e "O Barril de Vinho Amontillado" (n. 88).
O primeiro deles não consegui ver. Já o segundo é este, também em tradução de R. K. Machado, citado anteriormente, aqui:




Agradeço a Simei, da JMaoski, pelas imagens.
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poe pulp

Sobre magazines de entretenimento popular entre os anos 1930 e os anos 1950 no Brasil, há um artigo bem interessante de Luciano Henrique Ferreira da Silva e Gilson Leandro Queluz, chamado "Hibridismo e interferência pulp nos códigos técnicos e na linguagem visual das revistas de emoção brasileiras", 19&20, vol. VI, núm. 4, out.-dez. 2011, disponível aqui. A proposta dos autores para uma categorização dessa linha das "revistas de emoção" no Brasil é a seguinte:
a) Revistas de romance de aventura: Romance Mensal (1934, Companhia Editora Moderna/São Paulo); A Novela (1936, Livraria do Globo/Porto Alegre); Contos, histórias e novelas (1936, Grande Consórcio de Suplementos Nacionais/ Rio de Janeiro); Contos Magazine (1937, Grande Consórcio de Suplementos Nacionais/ Rio de Janeiro);  Mistérios, crimes, histórias e aventuras fantásticas (1938, Rubey Wanderley Editor/Rio de Janeiro).
b) Revistas de mistério policial: Suplemento Policial em revista (1934, Grande Consórcio de Suplementos Nacionais, Rio de Janeiro); Detective (1936-1940, Editora Novidades Ltda, São Paulo; 1941, Editorial Fluminense, Rio de Janeiro); Lupin (1937, Editorial Fluminense, Rio de Janeiro); Revista X-9 (1941, Rio Gráfica Editora, Rio de Janeiro); Detective [Detetive] (1942, Edições o Cruzeiro, Rio de Janeiro); Meia-Noite (1948, Rio Gráfica Editora, Rio de Janeiro); Mistério Magazine (1949, Livraria do Globo, Porto Alegre); Garras da Lei (1952, Coluna Sociedade Editora, São Paulo); Emoção (1954, Editora La Selva, São Paulo); Contos de Mistério (1954, Editora La Selva, São Paulo).
c) Revistas de fantasia e ficção-científica: Fantastic (1955, Editora Edigraf, São Paulo).
É um universo inteiro aqui no Brasil, e certamente Poe há ter de sido um conviva assíduo. Fico devendo informações mais específicas, salvo um ou outro conto que tenho comentado aqui e aqui.
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poe em magazines I

Não estou pesquisando Poe ficcionista em revistas, magazines e jornais. Mas, na pesquisa de Poe ficcionista em livro, às vezes me deparo com coisas interessantes - como a primeira tradução de Fall of the House of Usher feita pelo então jovem Wilson Velloso, que saiu em 1938 na revista A Novela, que apresentei aqui.

Por outro lado, acho interessante constatar uma relativa efervescência poeana em revistas e magazines em meio a certa pasmaceira no setor de livros: é que se tem a partir de 1938, como disse, seguindo em 1939 e sobretudo 1941/42, na revista Contos Magazine, da editora A Noite. E alguns são até contos inéditos entre nós, como o supracitado Usher (1938). Outro que era inédito em tradução brasileira é The Oblong Box, que saiu em 1941  na Contos Magazine 89, em tradução  de um "R. K. Machado".





Agradeço a Simei, da JMaoski, pelas imagens.

Se compararmos esta tradução a outra tradução não em magazine, em livro mesmo, mas nessa linha meio pulp de entretenimento popular - estou pensando na Cedibra (Bruguera) e na Edibolso, já nos anos 1970, com Sandro Pivatto - a de R. K. Machado chegou a me surpreender pela qualidade, bastante boa, respeitando bastante o original.

Fiquei alegre, pareceu-me uma notícia alvissareira: boas traduções de Poe em revistas sem maiores preocupações estilísticas ou literárias.
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15 de jan de 2012

o poe de lúcio cardoso



Outra dessas preciosidades perdidas de Poe no Brasil é a tradução e adaptação dramática de The Tell-Tale Heart feita por Lúcio Cardoso, encenada em 1949 como O coração delator, no Teatro de Câmera. Veja aqui.

Aliás, a paixão poeana de Lúcio Cardoso se evidencia com clareza na Crônica de uma casa assassinada, onde ecoam lugubremente
os destinos da Casa de Usher (acima, a "casa assassinada" que ele pintou em aquarela e guache sobre papel, atualmente no acervo
da Casa de Rui Barbosa).

E vale ainda lembrar seu artigo "Edgar Poe", em duas partes, publicado no jornal A Manhã, Rio de Janeiro, em 19 de julho de 1944.
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14 de jan de 2012

a queda da casa de usher, 1938



Não vou me deter sobre a Livraria do Globo (e a Editora Globo), ou sobre o papel de Érico Veríssimo como seu diretor editorial - há fartíssimo material a respeito. O pertinente aqui é a Revista Mensal de Literatura A Novela, criada em 1936 por Veríssimo. Com número fixo de páginas (192), a cada mês era lançado um número tendo um texto principal - conto, novela ou romance - como chamada e ilustração de capa, geralmente algo de bom apelo comercial naquele momento.

Complementando as 192 páginas do padrão da revista, seguiam-se contos os mais variados, muitos deles de maior qualidade literária. É o caso, por exemplo, de "Amy Foster" de Conrad ou d' "A Aventura de Tse-La", de Villiers de l'Isle-Adam, entre as capas d' O Navio Fantasma do Cap. Fred Marryat, em tradução de Mario Quintana e ilustração de Edgar Koetz, um dos expoentes das artes gráficas gaúchas (n. 22, 1938):


Era mesmo este o projeto deliberado de Érico Veríssimo na direção de A Novela: trazer ao grande público nomes do momento, como Man Ray, Edgar Wallace, Sax Rohmer, Agatha Christie, mas também produções literárias mais consistentes.

Foi nas páginas d' A Novela n.23, de agosto de 1938, com chamada de capa para O Grande Amor de Napoleão, do Conde de Ornano, que encontrei o que me parece ser a primeira tradução brasileira de "A queda da casa de Usher",  de Poe.


O conteúdo deste número era o seguinte:

H.C. Nac Neile, A melodia da morte
Valentine Gregory, O crime do ônibus
Conde de Ornano, Maria Walewska, O grande amor de Napoleão
Edgar Wallace, O homem que odiava as minhocas
Charles de Coster, As três donzelas
Edgar Allan Poe, A queda da casa de Usher
Milward Kennedy, Que é um crime?
Archemed Abdullah, Éramos seis... e uma dama
Suzanne Normand, Mariposas de papel
Créditos de tradução: Oliveira Abrantes e Wilson Velloso.

O romance do conde de Ornano fora lançado meses antes, ainda em 1938, pela Inquérito de Lisboa, na tradução do lusitano Oliveira Abrantes, num volume de 354 páginas (aqui).* Em vista disso, imagino que o texto publicado na Revista Literária da Globo fosse uma adaptação condensada. Procurei exaustivamente entre a produção tradutória de Abrantes alguma referência a algum dos outros contos publicados neste número d'A Novela, e não localizei qualquer menção.

* interessante notar que, no mesmo ano, a Vecchi tinha lançado no Brasil o romance histórico de Octave Aubry sobre o mesmo tema, Maria Walewska, o grande amor oculto de Napoleão, em tradução de Maria Luiza Barreto Sanz, talvez abrindo caminho para a edição mais popular deste número d'A Novela.

Assim, por exclusão, parece-me plausível supor que os demais contos tenham sido traduzidos por Wilson Velloso (que, posteriormente, veio a se celebrizar em especial por sua tradução de 1984). Velloso, nascido em 1918, contava então com 20 anos. Sua filha Heloísa Velloso não soube informar se foi de fato ele o tradutor d'"A queda da casa de Usher" e/ou dos demais contos, mas declara que o pai já traduzia bastante naquela época. Cabe ainda notar que Wilson Velloso foi prolífico tradutor na Coleção Amarela da Globo e também traduziu para a Catavento, da mesma editora.

Como hipótese de trabalho, portanto, adotarei o ano de 1938 como data da primeira tradução de The Fall of the House of Usher no Brasil, considerando Wilson Velloso como seu autor.

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