29 de jun de 2012

poe sobre emerson



entre os entretenimentos remunerados a que se dedicou edgar allan poe, estava uma simulação de análise grafológica a que submeteu a caligrafia de 109 autores contemporâneos seus e publicou no graham's magazine (1842). na verdade, pelo menos em vários casos, era uma oportunidade para poe brandir seu látego e desferir algumas chibatadas em seus desafetos. eis o que ele fala sobre ralph waldo emerson:
O sr. Ralph Waldo Emerson pertence a uma categoria de cavalheiros com os quais não temos a menor paciência – os místicos pelo misticismo em si. Quintiliano menciona um mestre-escola que ensinava a obscuridade e uma vez disse a um aluno: “Isso é excelente, pois nem eu mesmo entendo”. Como o bom homem riria do sr. E.! Seu papel atual, ao que parece, é ser mais Carlyle do que Carlyle. Lícofron, o Tenebroso, de fato é um tolo para ele. A melhor resposta a seu palavrório vazio é cui bono? – pequena expressão latina geralmente mal traduzida e mal compreendida – cui bono? – a quem isso serve? Se não ao sr. Emerson pessoalmente, com certeza a nenhum ser humano vivo.
Seu amor pelo obscuro, porém, não o impede de compor ocasionais poemas em que a beleza surge aos borbotões. Várias de suas efusões saíram no Western Messenger – mais no Dial, do qual ele é a alma – ou o sol – ou a sombra. Lembremos a “Esfinge”, o “Problema”, a “Tempestade de Neve” e alguns belos versos antiquados, com o título “Ó bela e majestosa donzela cujo olhar”.
Sua caligrafia é ruim, espraiada, ilegível e irregular – embora bastante ousada. Esta última característica talvez seja, e sem dúvida é, apenas uma parte de sua afetação geral.
(tradução minha; original aqui)